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quinta-feira, 21 de abril de 2011

Ética

Fiz cinco anos de faculdade, de segunda à sábado, conheci muitos professores, uns bons, outros ótimos, uns ruins, outros ainda, meia boca. Entre eles, havia um professor de ética.
Era meio estranho, cerimonioso demais, impunha um tipo de respeito esquisito, que a gente não sabia exatamente o que era, não tinha intimidade com ninguém, não permitia aproximação, era sempre solene demais, sem contato, o material era pobre, as discussões eram meio parciais, diferente do padrão dos professores que tínhamos.
Diferentes dos bons porque era frio, distante, quase indiferente, as discussões não eram ricas, não fluiam, não eram democráticas, seus materiais  e textos não tinham riqueza da diversidade. Diferente dos ruins porque era sempre presente, tinha um material, sei lá. Gostamos muito porque suas aulas foram apenas no último ano, se fosse mais, acho que entraria no hall dos ruins, porque o código de ética se tornaria um porre de conhecer e sabe-se lá como lidaríamos com ela.
Ultimamente tenho ouvido falar muito do meu ex-professor de ética, não por causa de alguma publicação diferente, por algum questionamento ao código, mas pelo que tem acontecido com ele referente à  sua vida pessoal e à sua outra carreira, a que tinha paralelamente a de professor universitário: a de padre. O referido professor é o ex-padre da Catedral: o senhor Antonio Donizete Bianchi.
Tenho tido notícias suas por dirigir bêbado, por se envolver num atropelamento de motoqueiros e fugir sem prestar socorro, também bêbado, por tentar subornar policiais, por ter sua licença para dirigir suspensa, por ficar afastado de suas funções sacerdotais da catedral e por se submeter a tratamento psicológico e agora, voltou a ser notícia: envolveu-se num grave acidente de carro, está em coma induzido, dentro do seu carro haviam três latinhas de cerveja vazias, antes do acidente passou numa loja de conveniência e pegou as latinhas, e outras coisas que colocou em uma bolsa antes de pagar, saiu da loja, e quando foi questionado pela atendente, se irritou, retirou as balas que levava na mochila,jogou-as no balcão (detalhe: o custo estimado de suas compras era, aproximadamente, 20 reais).
Assim que saiu, arrancou com o carro do posto e logo se acidentou.
De verdade, lamento por ele. Pela forma como a sua vida foi conduzida até hoje. Lamento que seja um líder espiritual, e sobre ter sido meu professor de ética, ele me deu muitas lições, principalmente nos últimos tempos, sobre o que não fazer!
Espero que possa se recuperar fisica, emocional, social e moralmente. E espero ter notícias suas, diferente das que tenho tido, de que fez uma obra social importante, que está restabelecido e fazendo uma campanha de conscientização dos malefícios do álcool e do cigarro, dos perigos de beber e dirigir, de uma condução bacana de uma paróquia, coisas que possamos nos orgulhar dele ou então é melhor não termos notícias nenhuma...

5 comentários:

  1. Tô me sentindo como chutando cachorro morto, e não sei se fui ética também, não me parece muito agora que já foi postado, se receber algumas pauladas, me desculpo depois...

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  2. Os bons e maus exemplos merecem ser citados. E os últimos para serem uma espécie de alerta, principalmente para os que se sentem tão éticos a ponto de acreditar que podem "ensinar" a ética. Um dos piores males da sociedade é essa tal hipocrisia. É revoltante.

    Parabéns pelo blog!
    Vc escreve muito bem!
    Quem dera se todos fossem assim, ao menos um pouco críticos a tudo que acontece...
    Bjos

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  3. O alcoólatra tem grande dificuldade de parar de beber, está sujeito aos mesmos riscos do abuso de álcool mas, como não consegue abandonar a bebida, apresenta muitas vezes uma deterioração na saúde, na família, no trabalho e no círculo de amizades. O alcoolismo é um conceito completamente diferente. É uma doença, um vício, devendo ser tratado como tal,não podendo ser considerado de modo algum falha de caráter.

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  4. Obrigada Sue pelo carinho!E Sil, tbm sei que ser alcoolista é ser portador de um transtorno mental, catalogado pela CID 10 e pelo DSM-IV, mas isso não dá permissão para uma pessoa cometer atos ilegais, ou amorais, não abona estas condutas, nem justifica, menos ainda, pequenos crimes. Se está doente, precisa de tratamento e muitas vezes, ficar protegido de si mesmo e assim protege também as outras pessoas. Beijos a todos e continuem comentando...

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  5. claro que não, adoece até quem convive com o alcoólatra. O problema é o tratamento... conseguir levar para sempre, sair dessa. Antes eu ouvia " é só querer consegue" e até acreditei nisso. Mas eu vi de perto, como é difícil, vi a pessoa querer, sofrer e ser mais forte do que ele e perder tudo por não conseguir. Agora, claro que o dano físico direto do álcool sobre o cérebro é um fato já inquestionavelmente confirmado. A parte do cérebro mais afetada costumam ser o córtex pré-frontal, a região responsável pelas funções intelectuais superiores como o raciocínio, capacidade de abstração de conceitos e lógica. Perde a noção do certo do errado, a ÉTICA acaba. E inocentes correm perigo como no caso do padre no volante.

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